Honda CG 160 Domina 2026: O Que os Números Revelam Sobre o Mercado de Motos no Brasil

Diego Rodríguez
Diego Rodríguez
7 Min de leitura

Com 571 mil motos emplacadas no primeiro trimestre, o setor cresce mais de 20% e consolida as duas rodas como o principal modal de transporte do país

O mercado de motos no Brasil não para de surpreender. No primeiro trimestre de 2026, o setor registrou o emplacamento de 571.610 motocicletas novas, um crescimento de 20,61% em relação ao mesmo período de 2025, quando o total havia ficado em 473.918 unidades. Os dados são da Fenabrave, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, e confirmam uma tendência que já vinha se desenhando desde o ano anterior: o brasileiro está comprando mais motos do que nunca.

O resultado de março foi especialmente expressivo. Foram 221.573 unidades emplacadas no mês, alta de 29,19% frente a fevereiro e de 33,47% na comparação com março de 2025. Em meio a esse cenário, uma pergunta natural surge para quem acompanha o setor de perto: o que está por trás desse crescimento acelerado e quanto tempo ele ainda pode durar? Entender as forças que movem esse mercado é essencial tanto para quem pensa em comprar uma moto quanto para quem já vive de duas rodas.

Por Que as Vendas de Motos Estão Crescendo Tanto no Brasil?

O crescimento não acontece por acaso. Para Arcélio Júnior, presidente da Fenabrave, a motocicleta tem ampliado de forma consistente sua importância no mercado brasileiro, cumprindo um papel duplo: de um lado, é solução de mobilidade para quem precisa se locomover nas cidades com agilidade e baixo custo; de outro, tornou-se ferramenta de trabalho indispensável para milhões de brasileiros, principalmente após o crescimento das plataformas de entrega e aplicativos de transporte.

Esses fatores econômicos e sociais explicam, em grande parte, por que o setor cresce mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados. As motocicletas oferecem menor custo de aquisição em relação aos automóveis, consomem menos combustível e permitem ao trabalhador gerar renda de forma relativamente rápida após a compra. Esse perfil de comprador, voltado ao uso profissional, responde por uma fatia significativa dos emplacamentos mensais.

Há ainda um segundo perfil crescente: o da moto como segundo veículo da família. Com o trânsito das grandes cidades cada vez mais congestionado, muitos consumidores estão optando por uma motocicleta para o deslocamento diário, deixando o carro para situações específicas. Esse comportamento, que já é comum em países como Indonésia e Vietnã, começa a se consolidar no Brasil, especialmente nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A Fenabrave projeta que o setor pode alcançar cerca de 2,41 milhões de unidades vendidas ao longo de 2026, sustentado tanto pela demanda profissional quanto por esse novo perfil de consumidor urbano. Para efeito de comparação, em 2025 foram emplacadas 2,19 milhões de motos, o melhor resultado da história do segmento no país.

Honda CG 160: A Moto que Ninguém Consegue Superar

No ranking de modelos, a Honda CG 160 manteve a liderança com folga. Só no primeiro trimestre de 2026, o modelo acumulou 121.791 unidades emplacadas, um volume equivalente a mais de três vezes o do carro mais vendido do país no mesmo período. Os dados da Fenabrave, compilados pelo portal Motociclismo Online, mostram que nenhum concorrente chegou perto desse número.

O sucesso da CG 160 não é novidade, mas merece ser compreendido em profundidade. Equipada com motor de 109,5 cm³ e câmbio semiautomático de quatro marchas, a moto tem preço inicial em torno de R$ 10.380 e é voltada ao uso urbano e profissional. Sua combinação de baixo custo de manutenção, ampla rede de concessionárias e peças acessíveis a torna praticamente imbatível no segmento de entrada.

Além da CG 160, o mercado mostrou fôlego em outros segmentos. A Yamaha R15 apareceu como a moto esportiva mais vendida em março de 2026, o que indica que o consumidor brasileiro não busca apenas motos de trabalho. O segmento esportivo e as naked de média cilindrada também avançam, acompanhando o amadurecimento de um mercado que começa a diversificar seus gostos e necessidades.

Outro dado relevante é o crescimento das motonetas e scooters urbanas, impulsionado pela demanda feminina e pelo uso em percursos curtos nas cidades. Modelos com motor entre 110 e 125 cm³ aparecem consistentemente entre os mais vendidos, confirmando que a moto não é mais um produto exclusivo de determinado perfil de usuário.

O Que Esperar para os Próximos Meses de 2026?

A projeção da Fenabrave de atingir 2,41 milhões de unidades em 2026 representa um crescimento de aproximadamente 10% sobre o recorde histórico registrado em 2025. Para que esse número seja alcançado, o ritmo observado no primeiro trimestre precisaria se manter ao longo do ano, algo que especialistas do setor consideram possível, mas não garantido.

Fatores como a taxa de juros e as condições de financiamento terão papel decisivo nos próximos meses. O Banco Central manteve a Selic em patamar elevado ao longo de 2025 e início de 2026, o que encarece o crédito e pode frear parte da demanda que depende de parcelamento. Por outro lado, fabricantes e concessionárias têm adotado estratégias próprias de financiamento, com taxas diferenciadas para determinados perfis de compradores.

Outro ponto de atenção é a chegada de novas marcas chinesas ao mercado brasileiro. CFMoto e Voge iniciaram operações no país em 2026, trazendo modelos com preços competitivos em segmentos onde Honda e Yamaha ainda dominam com folga. A disputa pode beneficiar o consumidor, mas também aquecer um mercado que já dá sinais de aquecimento sustentado. Para quem pensa em comprar uma moto nos próximos meses, o momento é de atenção às condições de crédito e às novidades que chegarão às concessionárias ainda no segundo semestre.

Fenabrave, Motociclismo Online, Agência Brasil, Acritica.net

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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