Honda lidera com folga, Yamaha aparece em segundo lugar e disputa entre Shineray e Mottu decide o terceiro posto em junho.
O mercado brasileiro de motocicletas fechou o primeiro semestre de 2026 com números que confirmam a força do setor de duas rodas no país. Segundo levantamento da Fenabrave, foram 1.174.459 unidades emplacadas entre janeiro e junho, um crescimento de 14,10% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o total havia sido de 1.029.291 motos. O resultado chama atenção porque supera qualquer outro primeiro semestre já registrado, dando sequência a uma trajetória de recordes que já vinha de 2025. Para quem acompanha o setor, o dado levanta uma dúvida direta: o que está sustentando esse ritmo de vendas e por quanto tempo ele deve se manter? A resposta passa por fatores como o uso profissional das motos, a demanda por mobilidade urbana mais barata e o comportamento recente das marcas, especialmente Honda e Yamaha, que seguem dominando o mercado nacional. MOTOO
Como ficou o mercado de motos no primeiro semestre
Os dados da Fenabrave mostram que junho, isoladamente, teve um desempenho um pouco mais fraco do que maio. Foram 194.200 motocicletas emplacadas no mês, uma queda de 1,79% frente ao resultado de maio, mas um avanço de 8,28% na comparação com junho de 2025. A entidade atribuiu essa oscilação mensal a fatores sazonais, como férias coletivas em fábricas e festividades juninas realizadas no Nordeste, região que tradicionalmente concentra boa parte das vendas do setor. Mesmo com essa leve acomodação, o acumulado do semestre continua sendo o melhor da história para o período, segundo confirmação da própria assessoria da Fenabrave. MOTOOMOTOO
Outro ponto que merece atenção é a movimentação dentro dos segmentos. As motos da categoria City ou Street ampliaram participação, saindo de 39,37% em maio para 40,95% em junho, fechando o semestre com 39,12% do mercado nacional. Já o segmento Scooter e Cub perdeu espaço, caindo de 34,25% para 32,46% entre maio e junho, encerrando o semestre em 34,76%, abaixo dos 36,53% do mesmo período de 2025. Entre as marcas, a briga mais equilibrada de junho ficou entre Shineray e Mottu, que fecharam o mês com 11.047 e 11.045 emplacamentos, respectivamente, uma diferença de apenas duas unidades. MOTOO + 2
Por que as vendas de motos continuam crescendo
A liderança de mercado segue inquestionável. A Honda encerrou o semestre com 771.943 motocicletas emplacadas, o equivalente a 65,73% de participação nacional, um domínio que reflete tanto a força da marca quanto a presença consolidada de modelos populares. A Yamaha aparece isolada na segunda posição, com 160.937 unidades e 13,70% do mercado. No ranking de modelos individuais, a Honda CG 160 aparece disparada na frente, com 260.248 unidades emplacadas no semestre, seguida pela Biz 125, com 136.782, e pela Pop 110i, com 121.556. MOTOO + 2
Esse desempenho tem relação direta com o que já vinha sendo observado nos meses anteriores. Um levantamento da Abraciclo mostrou que, até maio, os emplacamentos somavam 980.095 motos, alta de 15,3% sobre o mesmo período de 2025, puxada pela demanda de serviços de entrega e logística e pela busca por transporte mais econômico nos centros urbanos. Vale notar também o comportamento por região: o Nordeste liderou o consumo nacional até maio, com 321,5 mil motos comercializadas, equivalente a 32,8% do mercado, seguido de perto pelo Sudeste, com 319,9 mil unidades e 32,6% de participação. Esse cenário reforça a moto como ferramenta essencial de trabalho em regiões onde o transporte individual motorizado ainda tem papel central no dia a dia da população. Chaves na MãoMotociclismo Online
O que esperar para o segundo semestre de 2026
A projeção oficial da Abraciclo para o fechamento do ano segue otimista. A entidade estima 2,3 milhões de motocicletas licenciadas em 2026, um avanço de 4,6% sobre as 2.197.851 unidades emplacadas em 2025, ano que já havia sido o melhor da história para o setor. Do lado da produção, a expectativa é de 2,07 milhões de unidades fabricadas no Polo Industrial de Manaus, alta de 4,5% em relação ao ano anterior. As exportações também devem crescer, ainda que em ritmo mais moderado, com estimativa de 45 mil motos embarcadas para o exterior, um avanço de 4,4% frente a 2025. Abraciclo + 2
Diante desses números, a leitura que fica para o consumidor é de continuidade. O crédito mais acessível, a demanda por entregas via aplicativo e o apelo de custo-benefício das motos de baixa cilindrada devem seguir movendo o mercado no segundo semestre. Quem pensa em comprar uma moto ainda em 2026 pode considerar que a alta na procura tende a manter os preços de tabela pressionados, mas também amplia a oferta de opções de financiamento entre concessionárias que buscam bater metas antes do fim do ano.
O primeiro semestre de 2026 deixou claro que o mercado de duas rodas segue em um dos melhores momentos de sua história recente. Entre a liderança consolidada da Honda, a recuperação de fôlego da Yamaha e a disputa acirrada por posições intermediárias entre marcas como Shineray e Mottu, o setor mostra que ainda há espaço para crescer, mesmo em um cenário de juros elevados. Para o consumidor, o recado é que a alta demanda deve continuar puxando lançamentos e promoções ao longo dos próximos meses, tornando o segundo semestre um período importante para quem pretende trocar ou adquirir sua primeira moto.
Fontes consultadas:
https://www.motoo.com.br/emplacamentos-de-motos-superam-117-milhao-no-semestre-de-2026/
https://www.chavesnamao.com.br/blog/noticias-automotivas/venda-de-motos-cresce/
https://abraciclo.com.br/press-release/producao-de-motocicletas-deve-ultrapassar-dois-milhoes-de-unidades-em-2026
https://motociclismoonline.com.br/especiais/mercado-de-motos-bate-recorde-e-se-aproxima-de-1-milhao-de-emplacamentos-em-2026/