Segmento acima de 450 cm³ fabricou 27.587 unidades entre janeiro e maio de 2026, enquanto a produção total de motocicletas avançou 10,1% no mesmo período; dados apontam crescimento da procura por modelos voltados a viagens, lazer, tecnologia e maior desempenho
Produção de motos acima de 450 cm³ acelera no Brasil
A produção de motocicletas de alta cilindrada registrou crescimento expressivo no Brasil nos primeiros cinco meses de 2026. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), foram fabricadas 27.587 unidades com motores acima de 450 cm³ entre janeiro e maio, alta de 41,9% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado coloca o segmento entre os que apresentaram maior expansão percentual dentro da indústria brasileira de duas rodas. (Abraciclo)
Apesar do avanço, as motocicletas de alta cilindrada ainda representam uma parcela menor da produção nacional. No período analisado, elas responderam por aproximadamente 3% das 932.522 motocicletas fabricadas no Polo Industrial de Manaus (PIM). A maior parte da produção continua concentrada nos modelos de baixa cilindrada, que somaram 730.291 unidades, equivalentes a 78,3% do total. (Abraciclo)
A diferença entre os segmentos mostra que o crescimento das motos maiores ocorre dentro de um mercado predominantemente formado por veículos utilizados para deslocamentos urbanos e atividades profissionais. Ainda assim, a expansão das cilindradas mais altas indica uma diversificação da demanda, especialmente entre consumidores que procuram motocicletas para viagens e lazer.
De acordo com a Abraciclo, os modelos de maior cilindrada atendem consumidores interessados em desempenho, conforto e tecnologia, além de usos relacionados a viagens. A entidade relaciona o avanço do segmento justamente à diversificação das formas de utilização das motocicletas no país. (Abraciclo)
Mercado brasileiro também registra aumento nos emplacamentos
O crescimento da produção de motos de alta cilindrada ocorre em um momento de expansão do mercado brasileiro de motocicletas como um todo. Entre janeiro e maio de 2026, foram registrados 980.095 emplacamentos, número 15,3% superior ao observado no mesmo intervalo de 2025 e o melhor resultado da série histórica para os cinco primeiros meses do ano. (Abraciclo)
O desempenho das vendas supera o crescimento de 10,1% registrado pela produção total no mesmo período. Entre janeiro e maio, as fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 932.522 motocicletas, o segundo melhor resultado histórico para os cinco primeiros meses do ano, de acordo com a Abraciclo. (Abraciclo)
Dentro da divisão por categorias, as motocicletas Street permaneceram na liderança, com 476.422 unidades fabricadas e participação de 51,1%. As Trail apareceram na sequência, enquanto as Motonetas também mantiveram participação relevante na produção nacional. Os números mostram que o mercado de menor e média cilindrada continua sendo responsável pela maior parte do volume. (Abraciclo)
Ao mesmo tempo, o avanço de 41,9% das motocicletas acima de 450 cm³ representa uma expansão proporcionalmente mais intensa. O resultado sugere que, além da procura por motos para mobilidade cotidiana, existe espaço crescente para modelos direcionados a outros usos, principalmente turismo, viagens e lazer.
Marcas de maior cilindrada ampliam presença no mercado
O avanço da produção de motos maiores também aparece no desempenho de fabricantes que atuam nesse segmento. Dados de emplacamentos até maio citados pela Tribuna do Paraná mostram, por exemplo, que a Triumph Tiger 900 registrou 1.199 unidades, enquanto a Tiger 1200 alcançou 615 emplacamentos no período. (Tribuna do Paraná)
No caso da Harley-Davidson, os modelos Road Glide e Street Glide somaram 366 emplacamentos no Brasil entre janeiro e maio, segundo dados da Fenabrave citados pela mesma publicação. Na América Latina, a fabricante registrou crescimento de 11,7% nas vendas no varejo no primeiro semestre, com 1.470 unidades comercializadas. (Tribuna do Paraná)
O comportamento das marcas mostra que o segmento de alta cilindrada não está restrito a um único tipo de motocicleta. Há modelos voltados para viagens de longa distância, motocicletas de aventura, touring, naked e outras categorias destinadas a consumidores que priorizam características diferentes das encontradas nas motos urbanas de menor cilindrada.
Esse cenário também ajuda a explicar por que o segmento consegue crescer mesmo representando uma fatia pequena da produção total. A expansão ocorre sobre uma base menor, mas envolve motocicletas com maior valor agregado e diferentes possibilidades de utilização.
Viagens, lazer e tecnologia impulsionam procura
A mudança no perfil de utilização das motocicletas é um dos fatores apontados para explicar o crescimento das motos de maior cilindrada. Segundo a Abraciclo, esses veículos são procurados por consumidores que utilizam a motocicleta para lazer e viagens, além de buscarem mais desempenho, conforto e tecnologia. (Abraciclo)
Esse comportamento diferencia o segmento de alta cilindrada do mercado tradicional de motocicletas urbanas. Enquanto modelos menores são amplamente utilizados para deslocamentos diários, trabalho e entregas, motos acima de 450 cm³ costumam estar associadas a percursos mais longos e experiências de condução diferentes.
A expansão também acontece em um momento de crescimento geral da indústria nacional. Somente em maio, foram produzidas 186.714 motocicletas no Polo Industrial de Manaus, alta de 8,2% na comparação com maio de 2025. No mesmo mês, os emplacamentos chegaram a 197.731 unidades. (Abraciclo)
Os números indicam, portanto, que o mercado brasileiro de duas rodas está crescendo em diferentes faixas de cilindrada. A alta de 41,9% nas motos acima de 450 cm³ chama atenção justamente por ocorrer em um segmento menor, mas que vem ganhando espaço dentro de um mercado nacional aquecido.
Indústria de motos mantém ritmo de crescimento
O desempenho das motocicletas de alta cilindrada faz parte de um cenário mais amplo de expansão da indústria brasileira. Entre janeiro e maio, além das 932.522 unidades produzidas, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus exportaram 19.094 motocicletas, aumento de 22,8% em relação ao mesmo período de 2025. (Abraciclo)
A produção nacional permanece fortemente concentrada nas motos de baixa cilindrada, mas os dados mostram que outras categorias estão crescendo em ritmo diferente. As motocicletas de média cilindrada responderam por 174.644 unidades no acumulado até maio, enquanto as de alta cilindrada chegaram a 27.587 unidades. (Abraciclo)
O resultado das motos maiores acompanha ainda um mercado interno aquecido. O recorde de 980.095 emplacamentos nos cinco primeiros meses reforça a dimensão da demanda brasileira por motocicletas e ajuda a contextualizar a expansão de categorias específicas.
Para o restante de 2026, o comportamento da produção e dos emplacamentos será importante para verificar se o ritmo observado nos primeiros meses se mantém. Até os dados mais recentes disponíveis, porém, as motocicletas acima de 450 cm³ apresentam uma das maiores taxas de crescimento dentro da indústria nacional de duas rodas.
Fontes:
- Abraciclo — Produção de motocicletas ultrapassa 900 mil unidades nos primeiros cinco meses de 2026
- Tribuna do Paraná — Produção de motos de alta cilindrada dispara 41,9% no Brasil
- Motor1 — Produção de motos supera 930 mil unidades em 2026