Taiza Tosatt Eleoterio analisa como o divórcio dos pais impacta a saúde emocional dos filhos em diferentes idades

Arianna Delviero
Arianna Delviero
6 Min de leitura
Taiza Tosatt Eleoterio

O divórcio dos pais provoca reorganizações profundas na rotina familiar, e boa parte dessas mudanças recai diretamente sobre a saúde emocional dos filhos. De acordo com a especialista em saúde mental e relações familiares, Taiza Tosatt Eleoterio, a forma como uma criança processa a separação se interliga à fase de desenvolvimento em que ela se encontra, o que torna essencial observar as reações esperadas em cada idade.

Dessa maneira, as reações diante da separação dos pais variam bastante entre bebês, crianças em idade escolar e adolescentes, e cada fase pede um tipo diferente de atenção por parte da família. Com isso em mente, a seguir, abordaremos os sinais mais comuns em cada etapa e o que fazer para amenizar o impacto emocional dessa transição, sobretudo nas primeiras semanas após a mudança de rotina.

Como bebês e crianças pequenas reagem ao divórcio dos pais?

Nos primeiros anos de vida, a criança ainda não compreende o divórcio como um conceito abstrato, mas percebe com clareza as mudanças na rotina e no comportamento dos adultos ao seu redor. Choro frequente, dificuldade para dormir e maior apego a um dos cuidadores costumam surgir nesse período, justamente porque é através desses sinais concretos, e não de explicações verbais, que a criança pequena registra que algo mudou. Tendo isso em vista, a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio apresenta que a estabilidade da rotina diária pesa mais, nessa fase, do que qualquer explicação.

Divórcio na infância escolar: entre a culpa e a lealdade dividida

Entre os seis e os doze anos, as crianças já entendem que os pais estão se separando, mas ainda recorrem a explicações egocêntricas para dar sentido ao que acontece em casa. É comum que se sintam responsáveis pelo conflito familiar ou tentem, sem perceber, restaurar a união dos pais. Isto posto, Taiza Tosatt Eleoterio explica que esse sentimento de culpa tende a diminuir quando os adultos comunicam a decisão de forma conjunta, sem culpabilizar o outro lado.

Adolescência e divórcio: a autonomia em conflito com a instabilidade emocional

Os adolescentes possuem mais recursos cognitivos para compreender os motivos da separação, porém vivem, ao mesmo tempo, um processo próprio de busca por identidade e independência. Isso pode gerar reações de raiva, distanciamento da família ou, em alguns casos, uma maturidade precoce diante das responsabilidades domésticas, conforme frisa Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares. Ou seja, os adolescentes tendem a expressar o desconforto emocional por meio do comportamento, e não de uma conversa direta com os pais.

Quais sinais indicam que o filho não está lidando bem com o divórcio?

Determinados comportamentos pedem observação mais próxima da família, independentemente da idade da criança ou do adolescente. Reconhecer esses sinais cedo ajuda a evitar que o desconforto emocional se transforme em um problema mais duradouro ao longo do desenvolvimento. Entre eles, se destacam:

  • Queda no desempenho escolar sem outra causa aparente;
  • Isolamento social ou perda de interesse em atividades antes prazerosas;
  • Alterações bruscas de humor, irritabilidade ou choro frequente;
  • Regressão a comportamentos de fases anteriores, como enurese ou apego excessivo;
  • Dificuldade para dormir ou pesadelos recorrentes.

Esses sinais, quando pontuais, não indicam necessariamente um quadro emocional grave, mas ganham relevância quando se repetem por semanas seguidas. Nesses casos, buscar apoio psicológico especializado costuma trazer resultados mais consistentes do que tentar resolver a questão apenas dentro do ambiente familiar.

Como reduzir o impacto do divórcio na saúde emocional dos filhos?

A comunicação transparente e adequada à idade da criança é um dos fatores que mais influenciam a adaptação ao novo formato familiar. Como pontua Taiza Tosatt Eleoterio, manter rotinas previsíveis, evitar comentários negativos sobre o outro genitor e garantir contato afetivo com ambos os pais são medidas que sustentam a segurança emocional dos filhos ao longo do processo. À vista disso, filhos que percebem cooperação entre os pais, mesmo diante do fim do casamento, desenvolvem mecanismos de enfrentamento mais saudáveis diante da mudança.

O papel da família na travessia emocional do divórcio

O divórcio dos pais não define, por si só, o futuro emocional dos filhos, mas o modo como a separação é conduzida molda profundamente essa experiência. Logo, reconhecer as particularidades de cada faixa etária permite que a família ofereça um suporte mais preciso, reduzindo o sofrimento associado à transição. Portanto, cuidar da saúde emocional dos filhos é um processo contínuo, construído na consistência do dia a dia e não em gestos pontuais.

Compartilhe