Segunda geração do SUV-cupê está prevista para 2027 e deverá combinar plataforma GEA, sistema híbrido plug-in e motor flex.
A Renault prepara uma mudança importante para sua linha brasileira de SUVs. A segunda geração do Renault Arkana deverá ser produzida no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), utilizando tecnologia desenvolvida pela Geely. A previsão apontada pelas informações publicadas nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, é de estreia no final de 2027.
O projeto chama atenção porque será diferente do Arkana conhecido atualmente em outros mercados. A nova geração deverá utilizar a plataforma GEA, arquitetura da Geely desenvolvida para veículos eletrificados e que também sustenta modelos como o Geely EX5. A própria Renault confirma que utilizará essa arquitetura no Brasil para ampliar sua oferta de veículos de zero e baixas emissões.
Outra mudança importante estará na motorização. As informações disponíveis apontam para a utilização do sistema híbrido plug-in EM-i, combinando propulsão elétrica com um motor 1.5 a combustão. A configuração destinada ao Renault deverá receber tecnologia flex para funcionar também com etanol, embora os números definitivos do Arkana brasileiro ainda não tenham sido divulgados oficialmente.
Na aplicação já conhecida do Geely EX5 EM-i, esse conjunto entrega 262 cv e 38,7 kgfm de torque. A referência ajuda a indicar o potencial do futuro Renault, mas não significa que esses números serão necessariamente idênticos no Arkana, especialmente porque haverá adaptações para a configuração flex.
A chegada de um Arkana nacional também amplia a disputa no segmento de SUVs médios eletrificados. E levanta uma pergunta importante para quem acompanha os próximos lançamentos: como será o novo Renault Arkana brasileiro e o que a tecnologia da Geely poderá mudar no modelo?
Como será o novo Renault Arkana produzido no Brasil?
A principal transformação começa na plataforma. A nova geração deverá abandonar a arquitetura associada ao modelo atualmente conhecido no exterior e adotar a GEA — Global Intelligent Electric Architecture, desenvolvida pela Geely para veículos eletrificados.
Essa base já possui uma ligação direta com o Brasil. O Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, foi preparado para fabricar veículos Geely sobre a GEA, incluindo o EX5 EM-i e o elétrico EX2. A Renault informa oficialmente que os dois veículos têm produção confirmada na fábrica até o fim de 2026.
A utilização da mesma arquitetura não significa, porém, que o Arkana será simplesmente um Geely com logotipo diferente. A expectativa é que o SUV tenha desenho próprio da Renault, seguindo a identidade visual mais recente da fabricante francesa.
As linhas definitivas ainda não foram reveladas. As informações disponíveis indicam que a nova geração poderá buscar referências em lançamentos recentes da Renault, preservando a proposta de SUV-cupê, uma das principais características associadas ao nome Arkana.
Nas dimensões, a expectativa é de um crescimento importante. A apuração publicada pelo Autos Segredos aponta para comprimento próximo de 4,74 metros, distância entre-eixos em torno de 2,75 m, largura perto de 1,90 m e aproximadamente 1,68 m de altura. Como o projeto ainda está em desenvolvimento, essas medidas devem ser tratadas como estimativas, e não como especificações finais.
Caso essas proporções sejam mantidas, o Arkana brasileiro será um SUV de porte considerável, posicionado no segmento C. O aumento das dimensões também poderá favorecer espaço para passageiros e bagagem, além de permitir acomodar o sistema híbrido e suas baterias.
A escolha da plataforma GEA oferece ainda outra vantagem: ela foi projetada desde o início para eletrificação. Isso permite organizar bateria, motores elétricos, componentes eletrônicos e estrutura do veículo de maneira mais integrada do que em projetos originalmente desenvolvidos apenas para motores a combustão.
Para a Renault, essa arquitetura representa uma forma de acelerar sua entrada em categorias eletrificadas sem precisar desenvolver integralmente uma nova plataforma específica para o Brasil. Para a Geely, significa ampliar a utilização de sua tecnologia dentro de uma fábrica e de uma estrutura industrial já estabelecidas no país.
Como funcionará o sistema híbrido plug-in do Arkana?
O segundo grande destaque deverá estar debaixo da carroceria. O novo Arkana está sendo associado ao sistema EM-i, tecnologia híbrida plug-in utilizada pela Geely e que combina motor a combustão com propulsão elétrica.
No Geely EX5 EM-i comercializado no Brasil, o conjunto utiliza um motor 1.5 aspirado a gasolina associado ao sistema elétrico, entregando potência combinada de 262 cv e torque de 38,7 kgfm. O SUV consegue acelerar de 0 a 100 km/h em aproximadamente 7,8 segundos na configuração divulgada pela Geely.
O funcionamento de um híbrido plug-in é diferente daquele encontrado em um híbrido convencional. A bateria possui capacidade suficiente para permitir deslocamentos maiores utilizando somente eletricidade e pode ser carregada externamente.
Isso significa que, dependendo da utilização, o motorista pode realizar parte considerável dos deslocamentos urbanos sem ligar frequentemente o motor a combustão. Em viagens maiores, o propulsor térmico entra no sistema para ampliar o alcance e eliminar a dependência exclusiva de estações de carregamento.
No EX5 EM-i vendido atualmente, a autonomia elétrica chega a 65 km pelo Inmetro nas versões com bateria de 18,4 kWh e até 112 km na configuração com bateria maior, de 29,8 kWh. O alcance combinado pode chegar a aproximadamente 1.300 km.
No caso do futuro Arkana, entretanto, ainda não existe confirmação de que exatamente essas capacidades de bateria e autonomias serão utilizadas. Informações preliminares mencionam diferentes opções, mas a Renault ainda precisará divulgar as especificações definitivas do veículo brasileiro.
Uma mudança particularmente interessante será a adoção da tecnologia flex. Segundo as informações sobre o projeto, o motor 1.5 será adaptado para aceitar etanol, criando uma configuração mais alinhada às características do mercado brasileiro.
Essa adaptação também explica por que os 262 cv do sistema utilizado atualmente pela Geely não devem ser tratados automaticamente como a potência definitiva do Renault. Calibração, combustível, bateria e gerenciamento eletrônico podem alterar potência, torque, consumo e autonomia.
O sistema deverá oferecer diferentes estratégias de funcionamento. Na arquitetura EM-i, o gerenciamento eletrônico pode priorizar deslocamento elétrico, combinar os dois sistemas para buscar eficiência ou utilizar simultaneamente os motores para entregar maior desempenho.
Na prática, o Arkana poderá funcionar como elétrico durante determinados trajetos urbanos e como híbrido em viagens mais longas. Essa flexibilidade é justamente um dos principais argumentos comerciais dos híbridos plug-in.
Quando o Renault Arkana chega e quais carros poderá enfrentar?
A estreia está prevista para o final de 2027, de acordo com as informações publicadas sobre o projeto. A produção deverá ocorrer no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, onde Renault e Geely já compartilham estrutura industrial.
A parceria entre as empresas é mais ampla do que esse único veículo. A Geely passou a participar da operação brasileira da Renault, enquanto a fabricante francesa ganhou acesso à arquitetura GEA para desenvolver sua próxima geração de veículos eletrificados destinados ao mercado nacional.
Em novembro de 2025, as empresas anunciaram R$ 3,8 bilhões em investimentos no complexo paranaense. O plano incluía a fabricação de veículos sobre a plataforma GEA e novos produtos eletrificados.
O Arkana deverá ocupar justamente uma das faixas mais disputadas atualmente: a dos SUVs médios eletrificados. Esse segmento recebeu forte expansão de fabricantes chinesas e vem acumulando modelos híbridos, híbridos plug-in e elétricos.
Isso significa que preço será decisivo. A Renault ainda não revelou valores e, considerando que a estreia está prevista apenas para 2027, qualquer estimativa neste momento seria prematura.
A produção brasileira poderá, entretanto, ser uma vantagem importante. Fabricar o modelo localmente permite maior integração da operação industrial e pode facilitar logística, fornecimento de peças e adaptação do veículo às necessidades brasileiras.
Também haverá uma questão de posicionamento. O Arkana precisará encontrar espaço dentro da própria linha Renault sem simplesmente reproduzir a proposta de outros SUVs da fabricante. A carroceria cupê e a motorização plug-in poderão ser justamente seus principais diferenciais.
Para o consumidor, uma das informações mais importantes será a autonomia elétrica homologada pelo Inmetro. Se o Arkana conseguir oferecer alcance próximo das versões mais eficientes do EX5 EM-i, poderá permitir que muitos proprietários realizem trajetos cotidianos praticamente sem utilizar combustível.
Ainda existem, porém, várias informações que precisam ser confirmadas: desenho final, capacidade da bateria, autonomia, potência definitiva, equipamentos, versões e preços permanecem em aberto.
O que já está mais claro é a direção do projeto. O próximo Arkana brasileiro deverá representar uma combinação pouco comum até recentemente: design Renault, plataforma tecnológica da Geely, produção nacional e sistema híbrido plug-in adaptado ao combustível flex.
Se o cronograma for mantido, o final de 2027 marcará não apenas a chegada de uma nova geração do Arkana, mas também uma etapa importante da estratégia da Renault para disputar o crescente mercado brasileiro de SUVs eletrificados.
Fontes
- UOL Autos Segredos — Renault Arkana será fabricado no Brasil com sistema híbrido da Geely
- Vrum — Renault Arkana nacional usará base do Geely EX5
- Renault Brasil — operação e produção no Complexo Ayrton Senna
- Geely Brasil — cooperação entre Renault e Geely no Brasil
- InsideEVs — plataforma GEA e produção nacional do EX5 EM-i