Setor de duas rodas cresce puxado por entregas, mobilidade urbana e novos lançamentos de marcas nacionais e chinesas
O mercado brasileiro de motocicletas fechou o primeiro semestre de 2026 com o melhor resultado da sua história. Segundo dados divulgados pela Abraciclo e pela Fenabrave, os emplacamentos superaram a marca de 1,17 milhão de unidades entre janeiro e junho, um avanço expressivo em relação ao mesmo período do ano passado. O número chama atenção porque supera qualquer outro primeiro semestre já registrado no país, inclusive os anos de forte aquecimento observados recentemente. Para quem acompanha o setor, a dúvida que fica no ar é simples: até quando esse ritmo consegue se sustentar, e o que está por trás desse crescimento tão consistente.
O que explica o crescimento recorde das motos no Brasil
A resposta passa, em boa parte, pelo uso profissional da motocicleta. O avanço dos serviços de entrega por aplicativo, somado à busca por transporte mais barato nos grandes centros urbanos, tem sustentado a demanda mês após mês. De acordo com levantamento do Chaves na Mão, a produção nacional já havia somado quase 933 mil unidades até maio, alta expressiva sobre o ano anterior, com destaque para os modelos de até 160 cc, que respondem pela maior fatia das vendas no país. O crescimento de 15,3% nos emplacamentos foi puxado pela demanda de serviços de entrega e logística, pela busca por transporte mais econômico e ágil nos centros urbanos e por maior facilidade de acesso ao crédito. Chaves na Mão
Outro fator relevante é o acesso ao crédito, que ficou mais fácil ao longo do ano e ajudou famílias e trabalhadores autônomos a trocar de moto ou comprar o primeiro veículo. Esse movimento também abre espaço para o mercado de seminovas, que deve crescer nos próximos meses conforme os consumidores trocam modelos mais antigos por versões atualizadas. Ainda assim, o segmento premium também surpreendeu: motos de maior cilindrada tiveram alta de quase 42% no período, sinal de que parte do público está migrando para categorias com mais tecnologia e potência.
Em junho, porém, o cenário mudou de figura. A Abraciclo confirmou uma retração na produção mensal, resultado das paradas coletivas programadas por parte das fabricantes durante o período. A produção de motocicletas superou a marca de 1,063 milhão de unidades no primeiro semestre de 2026, com alta de 6,3% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados apresentados pela Abraciclo. Apesar da pausa sazonal, a entidade manteve a projeção de fechar o ano acima de dois milhões de motos produzidas. Jornal de Brasília
Como ficou a divisão do mercado por marca e segmento
A chegada de novas marcas chinesas também mexeu com a disputa por espaço nas concessionárias. A CFMoto, que começou a vender no Brasil no fim de maio, já apareceu entre as vinte fabricantes mais vendidas do país em pouco mais de um mês de operação, um desempenho que reforça o apetite do consumidor brasileiro por opções mais acessíveis vindas da Ásia. Enquanto isso, o segmento urbano de uso diário, conhecido como City ou Street, ampliou sua fatia de mercado entre maio e junho, consolidando a preferência por motos leves e econômicas para o trajeto do dia a dia.
O segmento de scooters, por outro lado, perdeu participação relativa no mesmo período, ainda que continue relevante no consumo geral do país. Segundo a Fenabrave, o resultado de junho, um pouco abaixo de maio, reflete fatores sazonais como festividades regionais e condições climáticas em algumas praças, e não uma mudança de tendência estrutural no consumo.
O que esperar para o segundo semestre do ano
Olhando para frente, a Abraciclo trabalha com um cenário de continuidade, ainda que com ritmo mais moderado do que o observado nos primeiros meses do ano. A entidade reforça que o desafio segue sendo o comportamento da economia e possíveis oscilações climáticas em regiões estratégicas para o abastecimento, como o Amazonas, sede do Polo Industrial de Manaus. Ainda assim, a expectativa é que o país feche 2026 com um novo recorde de vendas, consolidando a moto como principal meio de transporte individual e de carga rápida do Brasil.
Para o consumidor, o cenário de forte oferta tende a se traduzir em mais opções de modelo, preço e financiamento nos próximos meses. Já para quem trabalha com entregas ou usa a moto como ferramenta de renda, o mercado aquecido também deve manter a competitividade nos preços de seguro e manutenção, itens que pesam diretamente no bolso do motociclista brasileiro.
Fontes consultadas:
Chaves na Mão
Jornal de Brasília
Motoo